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Noites de agosto
Depois de tanto rolar para lá e para cá na minha cama de insônias, lembrei-me de Chico cantando: “Ouça um bom conselho que te dou de graça, inútil dormir que a dor não passa...” e reticências porque ele sempre tem algo mais a dizer!
Agosto, ó mês do desgosto! Esse foi o das noites sem fim, leituras sem fim, saudades sem fim, enganos, desenganos, e percepções enfim.
Voltei inúmeras vezes ao encontro do meu sono acolhedor, mas a voz sussurrava no meu ouvido insistentemente. Persegui sonhos, mas de meu repouso meus pensamentos me despertavam como os fantasmas fazem com as criancinhas que tem medo do escuro. Cobri a cabeça como fazia pequena, contei carneirinhos saltitantes em nuvens e nuvens. Mas os fantasmas reais em tempos da “adultice” voltaram a me assombrar.
Se eu fosse fumante seria a hora perfeita do cigarro, mas não é o caso, ainda bem. Pegar o telefone em horas passadas pareceria ataque de carência e isso não podemos porque é feio e o papai briga. Fui então até a janela, contudo todos pareciam dormir.
Estranho estar na contramão dos horários, acordado na hora que é para dormir. Errante pensamento que não se ajustava ao relógio. Fechei muitas vezes os olhos bruscamente na busca dos sonhos de infância, mas a fadinha dos pedidos não aparecia para realizá-los.
Então, me cobri mais ainda e quase sem poder respirar adormeci. Mas, parece que de novo ouvia Chico e dessa vez um pouco mais alto, estava quase a me gritar: Acorda menina! E acordei, enfim, sem mais voltar a dormir.
Michele Rangel
Escrito por Mi às 13h56
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Insana mania
Doce, amarga, mania.
Mania insana que emano
Que apelo, que procuro,
Mania insana de querer
Tudo entender
Acalmar
Mania Insana de buscar
Terreno seguro
Pousar
Mania Insana de tanto querer
Louco prazer
Desejar
Mania insana de muito falar
Pouco externar
Aquietar
Mundo, estranho, mutante.
Onde tudo pode mudar
Insana mania ousar
compreender
Tudo que nele há.
Michele Rangel
Escrito por Mi às 12h46
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" Chega mais perto e contempla as palavras
Cada uma
Tem mil faces secretas sob a face neutra
E te pergunta, sem interesse pela resposta
Pobre ou terrível que lhe deres:
Trouxe a chave?
Repara:
Ermas de melodia e conceito
Elas se refugiam na noite, as palavras.
Ainda úmidas e impregnadas de sono,
Rolam num rio difícil e se transformam em desprezo"
Procura da Poesia
Carlos Drummond de Andrade
Escrito por Mi às 15h54
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