A vida não é um rascunho.
A idéia de poder passar a limpo algo que não ficou muito bom sempre esteve comigo. Contudo, por muitas vezes quando tentei o fazer, o contexto já era outro, o enredo estava diferente e não havia mais o que consertar. A tinta havia desbotado. Em todas essas situações precisei amassar o papel e recomeçar.
Dizem que a menor distância entre dois pontos é uma reta, mas existem os que insistem nas curvas. Eu fui uma dessas que sempre achei que dar uma esticada aqui ou ali não comprometeria meu destino. De fato, nesses percursos muito aprendi e talvez por isso minha visão hoje não seja tão linear.
Precisei me perder em caminhos não tão exatos para me dar conta de que realmente tem momentos em que precisamos ir ao ponto certo ao tal “porto seguro”. Hoje busco um enquadramento perfeito dentre os tantos rabiscos e croquis que realizei nesse projeto de viver. Perfeito talvez não seja a palavra, pois nunca o é, mas tenho procurado formas que se moldem dentro do real e não as que carregam ilusões de ótica.
Percebi que tudo o que se vê é digno de ser retratado, mas não vivenciado. É claro, que os erros nos remetem à outras escolhas e essas requerem amadurecimento dobrado.. Sinto um incômodo com relação a isso, hoje ando aparando arestas e esfregando a borracha.
Meu relacionar, ainda que leve, perpassa um olhar mais crítico e um estudo mais elaborado. Os que estão comigo até agora são as personagens que realmente engrandecem minha história. O meu estar não é mais por estar, o meu fazer não é mais por fazer, o meu viver não é mais por viver. Pois, podemos trocar molduras e mudar as tintas, mas a tela sempre será a mesma e existem as manchas que não se dissolvem.
O tempo nos mostra que devemos nos atentar a cada momento, pois muitos deles serão únicos e não poderemos mais recuperar. Hoje peso minhas palavras e atitudes e não mais uso o “deixa pra lá” ou “depois ele me entende”. Não, nem sempre há depois.
Elabore melhor o seu desenho enquanto não termina sua obra. Recrie se necessário, curta cada forma que se apresentar, coloque as cores adequadas. E para tanto, pincele com carinho preciso para não deixar que se acumulem rascunhos de vidas ao seu redor. Michele Rangel
Escrito por Mi às 11h16
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