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                         Chove de novo

                       De novo, chovo

                       Assobio no vento

                       daqui me vejo

                         lá vou eu

                     gesto em movimento

                       Paulo Leminski



Escrito por Mi às 07h19
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Não me esqueça num canto qualquer....

 

           Num canto qualquer há de estar Procurei debaixo dos cômodos, por entre os livros, tirei o vaso do lugar. Abri as portas, fechei gavetas, vasculhei sentidos. Meu passado pardo amarelou o livro que quisera eu um dia completar, contudo transbordaram-se os contornos.

Minha angustia reside em liquidar esse branco. Sim, quero luz, quero brilhos, quero me pintar. Mas perdi os pincéis, ferramentas necessárias para tal. Especialmente hoje quero aquarelas de intensas paisagens e caminhos floridos, mas vejo uma imagem congelada emoldurada pela busca de um avançar.

De um movimento a outro traço mais uma linha, fecho mais uma forma, mas não consigo me completar. Imagens se desmancham na minha memória. Em minha volta vidas em objetos quase falantes.  Ecos que preciso calar, pois há muitordo do lugar.eima em hoje fugir de mim. te, me acalme e me deixe seguir livre  estão escondidos atrás desses móveis mascarados por uma poeira inquietante. Na duvida, troquei tudo de lugar, troquei discos, troquei roupas, fiz meu reciclar. Por fim,  exausta me joguei ao sofá.

Essa vida louca nos cobra sempre atitudes, renovações, movimento. Meu pensamento ensaia soluções que tardarão a chegar. Esse corre - corre quase obrigatório não me deixa parar, mas há dias que é vital ficar mais na escuta que no discurso.

            Hoje a tela não vou mais pintar, a frase não vou continuar. Talvez esse vício de escrever buscando início, meio e fim esteja me apressando insanamente. Busco sempre razões, me cobro intensidade sem direito a coffee break. Contudo, ainda que eu deseje  cores novas, a inspiração do pintor, a elucidação do poeta - esse papel ficará por completar.  Que na sincronia do amor eu aprimore tais palavras como uma rosa-dos-ventos a me guiar. Que a paz do silêncio ecoe dentro de mim o que busco no momento oportuno. Que eu me permita mais calma para continuar...

O que teima fugir de mim é o fim de uma história que ninguém pode revelar. Hoje não há mais o que procurar mesmo que eu bote a casa abaixo. Outras razões nasceram amanhã, outros objetos mudarei de lugar, deixemos as conclusões de lado então e enfim essa arrumação para outrora.

Michele Rangel

 

 

 



Escrito por Mi às 22h15
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