| |
Me deixe calar
Fiquei horas olhando esse papel para saber o que escreveria...Hoje não estou afim de dizer nada sério, não quero nada que me faça refletir sobre as diferentes culturas ou os mais variados significados que as pessoas entregam as suas vidas. Não ensaio fugir como tola, mas hoje necessito o vazio, a paz.
Não estou a ponto de não levantar da cama, não se trata de depressão - quero sair, ousar, viver - mas apenas ser e não ter de fazer nada. Quem sabe vou aumentar o som, ouvir uma música e deixa-la tocar até o fim. Quem sabe eu comece a dançar como louca, não me importando o que vão achar de mim. Rasguei hoje meus manuais de boa conduta e serei o que me der na telha ser.
Não quero buscar entender como uma mulher muçulmana consegue se submeter àquela cultura que a esconde atrás de véus. Nem tampouco, por outro lado, elucidar as daqui que são tão cerceadas de sua liberdade quanto elas. De uma forma extremamente inversa - lá se deve esconder, aqui temos quase obrigação de mostrar. Aqui o pecado é o excesso. Para as mulheres modernas e independentes só resta a perfeição - medidas impossíveis, trabalho dobrado, condutas perfeitas com belos sorrisos em bocas brilhantes em batom de cor. Um sorriso que muitas vezes mascara a sua dor, seus temores e sua vontade de gritar: Chega, não preciso ser perfeita. Me questiono, se não vestimos os mesmos véus que as de lá, se não escondemos nossa fragilidade atrás de quilos de maquilagem, pois nesse mundo não se pode ter defeitos ou fraquezas. Mas hoje não quero relativizar nada. Ao menos por hoje...
Não necessito saber aonde vamos parar dentro desse fluxo acelerado que tem sido o mundo globalizado. Não busco entender por que as pessoas estão se perdendo nesse consumo desenfreado. Não quero me entristecer por que nossos sentimentos viram banalizações e por que o dinheiro contabilizou o amor. Não gostaria de explicar por que essa sociedade anda tão excludente em solidariedade. Por que os amores estão cada vez mais narcizistas? Por que as pessoas acreditam numa felicidade empacotada em balcões de supermercados?
Também não aceito tudo num conformismo cínico, isso mexe e muito comigo, mas hoje eu preciso tentar esquecer. Quero frear toda essa loucura, ao menos dentro de mim. Sei que tenho muito que fazer para me lançar nesse mundo competitivo e quase boçal – mas também percebo que faço o que está a meu alcance fazer. Vou me despir não de minhas roupas, mas de tantas cobranças cruéis e infundadas.
Andar na contramão é difícil e quase uma insanidade. Tropeço e caio, mas não vendo minha alma ao diabo. Não acredito no bom velhinho há alguns anos, contudo ainda espero que os tais melhores dias cheguem logo e que arranquem a angustia do meu peito e essa vontade de hoje preferir me calar.
Michele Rangel
Escrito por Mi às 12h05
[]
[envie esta mensagem]
| "Há muito mais em ser mulher do que em ser mãe. Mas há muito mais em ser mãe do que a maioria das pessoas desconfia." |
| Roseanne Barr |
Escrito por Mi às 21h29
[]
[envie esta mensagem]

Impulsos
Com a inquietude peculiar da mulher
Entro sem pedir licença,
Para só depois, retificar a falha de educação.
Empresto um pedaço de mim a cada situação.
Encurto, ansiosa ou alongo deveras o caminho.
Desmedida erro na direção.
Esgoto possibilidades sem temer punição.
Serena ou impulsiva,
Anjo ou tentação,
Provo do doce e do amargo
Sem ousar distinção.
Encontro o ritmo ou perco o compasso
Danço e canto com minha avaliação.
Uso pintura e não disfarce,
Amanheço menina e durmo mulher.
Tenho sonhos adolescentes ou finco os pés no chão.
Subo no salto ou ando descalça na mesma empolgação.
Teimo em querer, em amar, em viver.
E nos dias que bato com a cara na porta,
Choro como criança carente de atenção.
Para num outro rir e muito de mim mesma.
Michele Rangel
Escrito por Mi às 16h34
[]
[envie esta mensagem]
Chaplin
Então me diz qual é a graça
De já saber o fim da estrada
Quando se parte rumo ao nada.
Paulinho Moska
Escrito por Mi às 20h55
[]
[envie esta mensagem]
Bom...esse é o meu novo blog...o outro está temporariamente parado...
E como não consigo me calar....estou eu aqui novamente...
minha nova válvula de escape!!!!
Agradeço a quem participou do antigo e peço que continuem nesse também.....
Escrever é um ato solitário, o faço para mim acima de tudo..mas é bom compartilhar com pessoas que
estimo e que podem enriquecer minha vida.....
Obrigada pela visita..comentem e dêem sugestões!!!!
Beijos Mi
Escrito por Mi às 20h27
[]
[envie esta mensagem]
O que não escrevi, calou-me
O que não fiz, partiu-me
O que não senti, doeu-se
O que não vivi, morreu-se
O que adiei, adeu-se
Affonso Romano de sant' ana
Escrito por Mi às 20h22
[]
[envie esta mensagem]
[ ver mensagens anteriores ]
|